Prefeitura de Uberlândia avança em obras na Zona Leste
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Evento realizado no dia 22 reuniu cerca de 400 pessoas; unidade vai preencher lacuna na saúde pública da região
Por Vinicius Dom Quixote
25 junho 2026 - 13:01 | Atualizado em 25 junho 2026 - 13:03
Uberlândia terá, a partir de 2027, o modelo mais completo de Centro Especializado em Reabilitação de pacientes com deficiência, o chamado CER IV. O Hospital de Amor (HA), com sede em Barretos (SP) lançou oficialmente na tarde desta segunda-feira, 22, as obras do Centro, que está sendo construído no limite entre os bairros Alto Umuarama e Granja Marileusa, na zona leste. A unidade será a mais moderna do Brasil, segundo o presidente do HA, Henrique Prata, presente ao evento. “Não existe igual no Brasil. É o projeto mais audacioso que vai existir no HA, em reabilitação”, afirmou.



Imagens: Celso Ribeiro/Granja Marileusa
A solenidade contou com a presença de cerca de 400 pessoas, entre convidados da comunidade, o prefeito Paulo Sérgio Ferreira e outras autoridades do Executivo e do Legislativo municipais, representantes de entidades de defesa dos direitos das pessoas com deficiência (PcD), os deputados Weliton Prado (federal) e Elismar Prado (estadual), o procurador da República Cléber Eustáquio Neves e lideranças do Grupo Algar e do Hospital de Amor – o antigo Hospital do Câncer de Barretos, referência em oncologia no Brasil.

Imagens: Celso Ribeiro/Granja Marileusa
Henrique Prata destacou a importância do apoio do deputado Weliton Prado na obtenção de recursos financeiros, tanto para manter o hospital-matriz quanto para investir em novas unidades da instituição. Segundo ele, o repasse do Sistema Único de Saúde (SUS) cobre em torno de um terço dos gastos do HA, o que gera um déficit mensal de cerca de R$ 60 milhões. Este valor chega aos cofres do hospital por meio de diversas ações, que o presidente chama de “providência”, como doações da comunidade, realização de shows e leilões de gado, e também pela designação das emendas parlamentares.
A primeira etapa do CER de Uberlândia está orçada em R$ 52 milhões. A obra foi viabilizada em função da parceria com Weliton Prado, que destina todas as suas emendas em prol da causa relacionada ao câncer – da prevenção à reabilitação dos pacientes. O parlamentar é presidente da Comissão Especial sobre o Combate ao Câncer no Brasil da Câmara dos Deputados.
Henrique Prata falou também sobre a esperança de reduzir, por meio da descentralização de unidades do HA, a dependência que muitos mineiros ainda têm de buscar tratamento de câncer em Barretos. Segundo ele, o hospital atende atualmente a 12 mil pacientes do estado de Minas Gerais. “O povo brasileiro é muito generoso e, de mãos dadas, temos condições de pensar alto”, salientou.

Imagens: Celso Ribeiro/Granja Marileusa
O diretor das unidades de Reabilitação do HA, Daniel Grossi Marconi, lembrou que o hospital surgiu há quase 70 anos – por iniciativa dos médicos Paulo Prata e Scylla Duarte Prata, pais do atual do presidente da instituição – e que, à época, receber o diagnóstico de câncer era praticamente uma sentença de morte.
“Após muitos avanços na Medicina, hoje temos um exército de pessoas curadas e que, às vezes, ficam com alguma sequela. A partir daí, entendemos que o ciclo do paciente precisa ser completo, e surgiu o projeto de reabilitação”, explicou o médico.
A Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no SUS (Lei nº 14.758/23) estabelece os direitos dos pacientes desde a prevenção, passando pela reabilitação até os cuidados paliativos e apoio psicológico ao paciente e familiares, quando for o caso.
De acordo com esta lei, a reabilitação tem o papel de reduzir ou controlar as perdas funcionais da pessoa que passou ou está em tratamento oncológico. O CER que está em construção vem suprir esta lacuna ainda existente na saúde pública. “Uberlândia será palco da implementação desta lei”, ressaltou Daniel Grossi.
O Centro contará, em sua fase ambulatorial, com equipamentos robóticos de reabilitação para membros superiores e inferiores, com realidade virtual aumentada, hidroterapia e outros recursos modernos, além de equipe médica e multidisciplinar preparada para atuar com estas tecnologias. O atendimento será estendido a pessoas com deficiência ou limitação de origem não oncológica, e o espaço vai abrigar também uma oficina para a confecção de próteses, órteses e equipamentos auxiliares de locomoção.
A denominação “CER IV” é em função de os serviços a serem oferecidos abrangerem quatro tipos de deficiência: física, intelectual (incluindo pessoas com Transtorno do Espectro Autista – TEA), auditiva e visual.
Para Idari Alves da Silva, presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (Compod) e diretor de Acessibilidade da Prefeitura de Uberlândia, o CER representa uma importante conquista para a cidade. Ele lembra que, em sua infância, não teve acesso a tratamentos que poderiam ter ajudado a melhorar sua condição física. “Será maravilhoso para todos que precisam dos serviços deste Centro, mas penso primeiramente nas crianças, para que possam ter oportunidade de fazer as terapias necessárias ao seu desenvolvimento”, disse.
Idari Alves ressaltou ainda que a localização do Centro é também um aspecto positivo do projeto, devido à facilidade de acesso. O espaço fica localizado no final da avenida Afonso Pena, uma das principais vias da cidade, na entrada do bairro Granja Marileusa.
Após a conclusão das obras, prevista para o primeiro semestre do ano que vem, e o início do funcionamento da primeira fase do Centro Especializado em Reabilitação do Hospital de Amor, as tratativas já apontam para uma nova fase de construção, com leitos para internação e centro cirúrgico. Para esta nova etapa, a Granja Marileusa Desenvolvedora, que integra o braço imobiliário do Grupo Algar, irá doar uma área de 20 mil metros quadrados, anexa à área da construção atual. O processo de doação está em tramitação na Prefeitura.
O presidente do Conselho de Administração do Grupo Algar, Luiz Alexandre Garcia, destacou o tripé de ações que está tornando possível a instalação do CER em Uberlândia: o desejo e a dedicação de Henrique Prata ao projeto, os recursos designados pelo deputado Weliton Prado e as doações das áreas – sendo a primeira pelo Município e a segunda pela Granja Marileusa Desenvolvedora. “Todos contribuindo para o bem comum”, afirmou.
Com a instalação do CER, o Granja Marileusa passa a abrigar sua primeira grande unidade de serviços de saúde. Com 12 anos de existência, o primeiro bairro planejado de Uberlândia tornou-se referência em qualidade de vida na cidade por seu conceito de desenvolvimento fundamentado em um urbanismo moderno, voltado para proporcionar a melhor experiência em morar, trabalhar, buscar lazer ou frequentar por razões diversas.
O bairro tem atualmente 6 mil moradores, recebe 11 mil trabalhadores e conta com mais de 100 grandes empresas. Em 2025, ganhou um parque com 261 mil metros quadrados de área verde nativa, com estrutura integrada para receber os visitantes. A segurança é outro destaque do bairro, que possui 151 câmeras instaladas, incluindo as de reconhecimento facial, com monitoramento e ronda 24 horas.

Imagens: Celso Ribeiro/Granja Marileusa
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